Genética, manejo, sanidade e nutrição são os quatro pilares que regem e garantem a produção e a lucratividade da atividade de bovinocultura de corte ou de leite. Ainda podemos enquadrar no mesmo patamar de importância um fator que muitas vezes é esquecido ou deixado em segundo plano, que é a administração e controle de todos os fatores e etapas da produção, sendo atualmente, um dos principais diferenciais e fator determinante do sucesso nas atividades da pecuária. Levando em consideração um dos quatros pilares importantes na produção, anteriormente citados, a nutrição e associado a isto, o fator de gerenciamento e controle, cada vez mais está se valorizando o chamado “ajuste fino” do balanceamento nutricional dos animais para o máximo desempenho produtivo, eficiência reprodutiva, saúde, longevidade e ao mais importante, a máxima lucratividade. Na nutrição devemos monitorar as necessidades de proteína, energia, fibra, carboidratos não fibrosos, lipídeos, vitaminas e minerais, conhecendo detalhes dos alimentos e entendendo e respeitando a fisiologia da digestão dos ruminantes. Neste artigo, em sua primeira parte, abordaremos dentro da nutrição, alguns minerais, que de maneira geral, didaticamente, são divididos em macro elementos – os com maiores necessidades dos animais e descritas em gramas ou percentuais e os não menos importantes, os micro elementos, com menores necessidades dos animais, descritos em miligramas ou em parte por milhão - p.p.m. Abordaremos neste primeiro momento os micros minerais zinco e selênio.
ZINCO O zinco (Zn) é um elemento mineral encontrado basicamente em todos os tecidos dos animais, glândulas, sangue, linfonodos, músculos, ossos, cartilagens, estando em maiores concentrações na pele e cascos. A ação do zinco no organismo está relacionada com o equilíbrio ácido-básico, síntese protéica, com o metabolismo dos glicídios e das vitaminas A e D, eliminação do dióxido de carbono, catalisador de várias enzimas (mais de mil enzimas), composição de hormônios, entre eles a insulina, manutenção da integridade dos olhos, pele e cascos, crescimento ósseo e estimulo da imunidade, entre outros fatores ainda não muito esclarecidos. A presença deste elemento nos alimentos é freqüente, porém ocorre que nestes, as quantidades e a biodisponibilidade, são baixas, portanto necessitando de suplementação obrigatória, via mineral, na alimentação. A absorção basicamente se dá no intestino delgado, existindo fatores que melhoram a absorção do mesmo (sinergismo), como o caso da presença das vitaminas A e D, magnésio e fosfatos , assim como fatores que prejudicam a sua absorção, trabalhando desta forma como antagonistas, entre estes fatores estão o a presença, principalmente em altas concentrações do cálcio, selênio, ferro, cobre, manganês e fitatos. As reservas móveis de zinco encontram-se em sua maioria no fígado, entretanto esta mobilização é muito lenta, abaixo da velocidade de utilização e as reservas são pequenas, apenas para algumas poucas semanas. A deficiência de zinco traz como principais sintomas ou prejuízos a perda do apetite, retardo do crescimento, ressecamento e rachadura dos cascos, problemas de pele, incluindo ressecamento, rachaduras, paraqueratose, doenças fúngicas, fotossensibilização, assim com pêlos ressecados e sem brilho, alterações do crescimento, queda nos índices de fertilidade de machos e fêmeas, menores produções de carne e leite, menor eficiência alimentar, e principalmente a queda acentuada da imunidade, com maior incidência de doenças em geral, incluindo mastites e menor eficiência de ação das vacinas. As necessidades de zinco para bovinos estão em torno de 60 p.p.m. a 80 p.p.m., sendo as maiores exigências, nas vacas em lactação, aonde se chega a encontrar de 3 mg a 5 mg em cada litro de leite. Em relação à toxicidade,a tolerância dos bovinos aos excessos de zinco na dieta é grande, onde os índices para início de intoxicações variam de 500 p.p.m. para animais jovens e 1000 p.p.m. para adultos. SELÊNIO O selênio é encontrado em praticamente todos os tecidos dos animais, mas em quantidades extremamente pequenas. A absorção é praticamente toda a nível intestinal, sendo que após a ingestão e chegada no rúmen, sofre em partes, metabolização pela flora ruminal, diminuído sua biodisponibilidade, diminuindo assim as quantidades que chegam nos sítios de absorção. A reserva no organismo é na musculatura na forma de selenoproteínas específicas, que são mobilizadas a partir das necessidades dos animais. Quando um animal precisar de um aporte maior de selênio ou de seus compostos dependentes, são liberadas rapidamente as reservas musculares, porém o problema é que em situações de estresse ou desafio de doenças infecciosas, estas reservas não são suficientes e o animal fica dependente de fornecimento extra de selênio via aplicação parenteral ou oral, ou entra em deficiência. Nos alimentos o selênio é encontrado em muito baixos teores, sendo sempre necessária a necessidade de suplementação via suplementação mineral. As principais formas de suplementação são através de selenito, que tem absorção intestinal por difusão simples ou por selenato, que tem absorção por transporte ativo, juntamente com o sódio. Esta rota é a mesma do enxofre e em dietas ricas neste elemento tem efeito antagônico na absorção do selênio. Outra forma de suplementação é a forma orgânica, através de seleniometionina, com absorção como aminoácido, competindo em algumas situações com a metionina, podendo desta forma inibir parte da absorção do selênio no intestino. As funções do selênio no organismo animal estão ligadas a varias enzimas (mais de 50), em especial a glutationa peroxidase, que tem por principal função evitar a formação de lipoperóxidos tóxicos, diminuindo a degeneração, envelhecimento e a morte das células. Relaciona-se tembém com o metabolismo dos aminoácidos sulfurados, através da enzima cistina-glutationa peroxidase. Também tem relação com os vários pontos da fisiologia do ovário, útero, gestação e nas contrações uterinas. Este micro mineral está relacionado com a fagocitose e demais eventos da imunidade (atividade dos neutrófilos e macrófagos), síntese de progesterona, prostaglandina e hormônios da tireóide. A carência de selênio em bovinos causa os seguintes sinais carenciais: Doença do músculo branco (degeneração das fibras musculares e nervosas), retenção de placenta, baixo desempenho reprodutivo, maior índice de morte embrionária, abortos, baixa viabilidade do feto, morte súbita dos recém nascidos, maior índice de cistos de ovários, reduzida mobilidade dos espermatozóides, edema, queda da produção de leite e carne, baixa da imunidade, com maior índice de doenças em geral, mastites, metrites, e também menor funcionamento das vacinas. As necessidades de selênio para os bovinos variam de 0,3 p.p.m. a 5 p.p.m., sendo que o N.R.C – 2001, recomenda para bovinos de leite variações de 0,35 a 0,40 p.p.m., com base na matéria seca da dieta total. O selênio em altas doses pode causar intoxicações aos animais, onde se constatou intoxicações crônicas após semanas de altas doses deste elemento (bovinos de corte, mais de 10 p.p.m. e bovinos de leite, a partir de 0,5 p.p.m. Alguns estudos relatam intoxicações a partir de 10 p.p.m. para vacas). Os sintomas da intoxicação aguda são: cegueira, salivação, depressão, pelagem áspera e sem brilho, perde de pêlos, laminites, cascos deformados, perdas de cascos, cirrose hepática e atrofia cardíaca. No Brasil são raras os relatos de intoxicações por este elemento.
Veterinário: Antenor Fornazari Neto - Especialista em Produção de Ruminantes |